Malha fez história no Cosmopolitanopor mais de três décadas
Para acertar na malha é preciso técnica, precisão e uma boa dose de treino. De origem antiga e bastante tradicional no interior paulista, o jogo consiste basicamente em lançar discos de metal em direção a um pino ou alvo colocado na extremidade da cancha. Vence quem consegue maior precisão nos arremessos, aproximando a malha do alvo ou derrubando o pino.
No Cosmopolitano, porém, falar de malha é falar de muito mais do que regras e resultados. É recordar uma história que começou por volta de 1987 e atravessou mais de três décadas, reunindo atletas, famílias e amigos em torno das canchas do clube.
Um dos personagens que acompanhou essa trajetória desde o início foi o sr. Ernesto Guidolin, um dos fundadores da modalidade no Cosmopolitano e responsável por ajudar a mantê-la viva até 2020. No começo, a estrutura era bem diferente daquela que os jogadores conheceriam anos mais tarde.
A cancha era de terra, feita de saibro, e exigia criatividade para proporcionar melhores condições às partidas. “A gente ia buscar borra de fundição em Indaiatuba para a malha correr. Nosso uniforme era branco e a gente saía todo sujo”, relembra Guidolin. Com o passar dos anos, a cancha também evoluiu. Por volta de 1997, a experiência de um colega de Araras ajudou a transformar o espaço. Primeiro, foi aplicado cimento e, sobre ele, uma camada de tinta. Mais tarde, o piso foi novamente aprimorado com a colocação de um revestimento plástico. A qualidade da cancha acabou se tornando uma referência entre os praticantes da modalidade. “Todo mundo elogiava nosso campo. Ficamos famosos por conta disso”, conta. E a fama não ficou restrita a Cosmópolis.
Ao longo dos anos, a equipe do Cosmopolitano participou das ligas Ararense, Guaçuana, Campineira e Rioclarense, todas ligadas à Federação Paulista de Malha. Nos intervalos das competições oficiais, os atletas ainda encontravam tempo para disputar torneios amadores. As viagens se tornaram parte importante dessa história. A equipe representou o clube na capital paulista e em mais de 30 cidades, enfrentando adversários de diferentes regiões.
Ao longo de toda a trajetória, mais de 100 atletas defenderam o Cosmopolitano, inclusive jogadores de cidades vizinhas que passaram a integrar a equipe. Mas Guidolin lembra que a competição era apenas uma parte do que tornava aqueles encontros especiais.
A malha também criava vínculos. Quando o Cosmopolitano jogava fora, muitas vezes a equipe da casa preparava um churrasco para receber os visitantes. Quando as partidas aconteciam em Cosmópolis, era hora de retribuir a hospitalidade. As famílias também faziam parte dessa rotina. Acompanhavam os jogos, torciam, gritavam e transformavam cada rodada em um programa de lazer. “Era muito legal. Não tinha um lugar tão bonito como o Cosmopolitano”, afirma Guidolin.
A longa trajetória da modalidade no clube chegou ao fim em 2020. E até a despedida guardou uma última boa lembrança: na derradeira partida, disputada contra São João da Boa Vista, o Cosmopolitano venceu por apenas dois pontos.
Mais do que resultados, troféus ou partidas disputadas, ficaram as histórias construídas durante mais de 30 anos. Uma época em que a malha levou o nome do Cosmopolitano para dezenas de cidades e, dentro de casa, reuniu gerações em torno do esporte, da amizade e da boa convivência.

Meu pai ( Roberto Bottcher) fez parte dessa História, como jogador e como árbitro da federação Paulista de Malha....
Saudades daquele tempo!!